Daniel Silveira (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

O consenso entre os partidos da direita e do centrão, recém embarcados no bolsonarismo, é de que não compensa enfrentar uma decisão unânime do STF por tão pouco – um deputado que ganhou a alcunha de “idiota” na casa. Decidiu-se, então, lançar Daniel Silveira ao mar

Preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) no Rio de Janeiro, Daniel Silveira (PSL-RJ) receberá a segunda sentença, agora de seus pares, na tarde desta quinta-feira (18) quando a Câmara Federal vai confirmar os 11 a zero dos ministros do Supremo Tribunal Federal e manter o deputado bolsonarista atrás das grades.

Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, foi incumbido pelos líderes partidários de levar o consenso ao conhecimento de Jair Bolsonaro (Sem Partido), que não conseguiu disfarçar um misto de raiva e apreensão nem mesmo entre apoiadores.

O consenso entre os partidos da direita e do centrão, recém embarcados no bolsonarismo, é de que não compensa enfrentar uma decisão unânime do STF por tão pouco – um deputado que ganhou a alcunha de “idiota” na casa. Decidiu-se, então, lançar Daniel Silveira ao mar.

Alguns deputados mais próximos ao bolsonarista ainda tentam convencê-lo de abrir mão do mandato para evitar o vexame da votação em plenário. Mas, Silveira insisti que pode se afastar por no máximo 2 meses, até que o episódio esfrie e ele possa voltar à Câmara.

Cassação

Com a resistência de Silveira, ao menos um setor da mesa diretora, comandando pelo bispo da Igreja Universal, Marcos Pereira (Republicanos-SP), primeiro vice-presidente da Câmara, já inicia a cooptação de deputados para iniciar o processo de cassação.

Além da pressão da sociedade, a mesa diretora e o próprio governo está sentindo a pressão do sistema financeiro e do empresariado, que pedem uma resolução rápida da situação para que as propostas neoliberais do governo voltem à pauta.

Paulo Guedes, ministro da Economia, já teria transmitido o recado do sistema financeiro aos parlamentares com a anuência de Bolsonaro, que continua em silêncio sobre a prisão de um dos seus mais fiéis escudeiros na Câmara.