© Foto: Lis Lopes/G1

Perto de completar quatro meses de vida, o bebê que foi levado por uma técnica em enfermagem da Maternidade Nascer Cidadão, em Goiânia, foi entregue aos pais na manhã desta quarta-feira (18). A criança tinha sido deixada para adoção pela mãe no hospital e, segundo a polícia, a funcionária pegou o recém-nascido para dar a uma prima, que tinha sofrido um aborto.

O pai do bebê, o encanador Thayson Rodrigo Rodrigues, de 28 anos, ficou emocionado ao receber o filho, que ganhou o nome de Thalles Leon, para levar para casa.

“O coração volta a bater mais forte. Estava angustiado, com medo de não dar certo”, afirmou.O bebê nasceu no dia 25 de maio e a mãe, Maria Antônia Lopes da Cruz, de 40 anos, o deixou na maternidade para adoção. Segundo a advogada da família, o ato foi de “desespero” devido às dificuldades financeiras.

“Ela ficou com medo de não conseguir criar a criança pela fase que eles estavam passando, o marido desempregado, eles sobreviviam com R$ 220”, explicou a advogada Rayanne Teles.

Thayson ficou sabendo por jornais que o filho tinha sido levado pela técnica em enfermagem. Ele descreveu o ato praticado pela funcionária como “desumano”. “Não deu para acreditar. Colocar um bebê prematuro dentro do baú de uma moto. Uma pessoa dessa não pode nem ser chamada de gente”, disse.

Ao G1, a defesa da técnica em enfermagem Elenita Aparecida Lucas Correa disse, às 12h16, que “prefere não comentar no momento” e que aguarda o encerramento da audiência de instrução e julgamento. Elenita responde ao processo em liberdade.

Busca pelo filhoSegundo a advogada da família, assim que os pais ficaram sabendo que o bebê tinha sido levado sem consentimento deles nem do hospital, eles iniciaram o procedimento para ter o filho de volta.

“Eles passaram por um estudo interdisciplinar para verificar se tinham condições de ter a criança de volta, o que demonstrou que sim. O Ministério Público também se manifestou favorável e, na segunda-feira (16), a juíza determinou o desacolhimento da criança e sua reintegração ao lar”, explicou.

Agora, com o pai do bebê empregado, a família já organizou tudo para receber o filho. “O bercinho e as coisas dele estão todas organizadas. Agora começa uma nova vida para a gente”, disse a mãe.

InvestigaçãoAs investigações apontaram que a técnica em enfermagem Elenita Aparecida Lucas Correa pediu para colocar o neném para arrotar e o levou. O bebê foi colocado dentro do baú de uma moto e transportad

o por 30 km até a casa da tia e, de lá, para a casa da prima, que havia perdido o bebê no sexto mês de gestação.

Além da funcionária do hospital, a tia dela, a prima e o marido foram presos. No entanto, as defesas dos familiares da técnica em enfermagem disseram, na época, que eles não sabiam que Elenita tinha pegado o recém-nascido na maternidade. Assim, eles foram soltos durante audiência de custódia, realizada em 31 de maio.

Na ocasião, a juíza Placidina Pires manteve a prisão da técnica de enfermagem. Ela foi solta em 14 de agosto e responde em liberdade ao processo por subtração de incapaz.

O hospital é gerido pela Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc), que informou, na época, que demitiu a funcionária. A empresa disse ainda que colaborava com as investigações, que a técnica trabalhava na unidade de saúde há cerca de 9 meses e que não havia apresentado problemas antes.