Falhas na estrutura do prédio que desabou em Fortaleza foram registradas por vítimas dias antes da tragédia — Foto: Davi Sampaio / Veja.

O estudante de arquitetura Davi Sampaio, 22, autor de uma selfie sob os escombros do prédio que desabou em Fortaleza (CE), chegou a perceber falhas na estrutura da edificação onde morava com a família e, dias antes da queda, enviou fotos de ferragens e pilares danificados para o grupo de Whatsapp de colegas da faculdade.

“Ele sabia que tinha algo errado, mas não soube dizer exatamente o que era”, diz a prima de Davi Sâmela Souza, 24, que estuda com ele na mesma classe do quinto semestre de arquitetura na Universidade de Fortaleza. O edifício passava por uma reforma quando ruiu.
O prédio residencial de sete andares desabou na manhã desta terça-feira (15). Ao menos duas pessoas morreram na tragédia e outras oito continuam desaparecidas. Nove vítimas foram resgatadas e socorridas em hospitais da região.

Davi estava se preparando para sair de casa rumo à faculdade quando percebeu as paredes do quarto dos pais cederem. “Só deu tempo dele correr para o hall de entrada”, conta a prima Sâmela, que conseguiu falar com Davi pelo celular pouco depois do desabamento. “Eu disse para ele ter calma e fazer barulhos para que os bombeiros pudessem encontrá-lo”.

O estudante ligou também para o pai na intenção de tranquilizá-lo, mas ele achou se tratar de uma brincadeira. “Ele falava ‘para de brincadeira’ e o Davi respondia ‘não é brincadeira, pai’”, conta Sâmela. Ao se dar conta de que o filho realmente estava falando a verdade sobre o desabamento, o pai voltou correndo para casa.

Para tranquilizar o restante da família, que insistia em ligar para seu celular, Davi resolveu mandar uma selfie para o grupo de Whatsapp dos parentes. “Não sei como a foto viralizou tanto”, diz a prima. A família organiza uma vaquinha online para arrecadar R$ 5.000 para ajudar Davi e os pais e retomar a rotina após o acidente.

O estudante de arquitetura está internado em observação desde a tarde desta terça-feira, quando foi resgatado dos escombros pelos bombeiros. Seu estado de saúde é estável e ele sente apenas uma dor no tornozelo.

Falhas na estrutura do prédio que desabou em Fortaleza foram registradas por vítimas dias antes da tragédia — Foto: Davi Sampaio / Veja.