Time da Chapecoense que encarou o San Lorenzo nas semifinais da Copa Sul-Americana (Foto: Nelson Almeida/AFP)

Dentro da aeronave, estavam 68 passageiros e nove tripulantes. O destino do voo era o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana, no qual a Chapecoense enfrentaria o Atlético Nacional da Colômbia. O conto de fadas alviverde cativou o Brasil inteiro. A Chape, clube pequeno de cidade de Chapecó do Sul, em Santa Catarina, tinha a chance real de conquistar o seu primeiro título internacional.

Entretanto, o jogo não aconteceu. O time não chegou ao seu destino final e o conto de fadas se transformou em uma triste tragédia. Não tardou muito, veio a notícia tão temida: o avião havia caído. O local, de difícil acesso, complicava a chegada das equipes de resgate. O mau tempo e o frio na região também não ajudavam. O cenário era caótico.

Enquanto isso, no Brasil, famílias e torcedores aguardavam por notícias. Ninguém queria acreditar no que estava acontecendo. Em Chapecó, muitos foram até a Arena Condá, estádio do clube, em busca de informações. A notícia que receberam era de que pelo menos 25 pessoas estavam mortas. A chama de esperança permaneceu acesa com relatos de que o lateral Alan Ruschel, o goleiro Danilo e uma comissária de bordo estavam vivos.

No Brasil inteiro, o assunto não podia ser outro. A caminho do trabalho, nas salas de aula, nas padarias ou nas bancas de jornais, a população brasileira não conseguia desgrudar das televisões, dos rádios ou das telas dos celulares em busca de boas notícias. Os questionamentos de “você viu o que aconteceu?” eram respondidos com leves acenos de cabeça e olhares vazios – mas, ao mesmo tempo, esperançosos.

Horas depois, entretanto, veio a confirmação de que apenas seis pessoas resistiram ao acidente: os jogadores Alan Ruschel, Jackson Follmann e Neto, o jornalista Rafael Henzel e os tripulantes Erwin Tumiri e Ximena Suarez. O goleiro Danilo, inicialmente resgatado, não resistiu aos ferimentos e faleceu. As buscas por sobreviventes foram encerradas. Ao todo, 71 pessoas – jogadores, jornalistas, dirigentes, comissão técnica, tripulantes e convidados – não sobreviveram à tragédia.