© Ueslei Marcelino / Reuters

As delações da JBS foram responsáveis por levar políticos e seus aliados à prisão, dentro das investigações da Lava Jato. Um dos executivos do grupo que fecharam acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF) foi Ricardo Saud.

Depois de achar que escaparia da cadeia, junto com os donos do grupo empresarial, Joesley e Wesley Batista, Saud acabou preso, por suspeita de omitir informações importantes aos investigadores.

Sua prisão foi decretada após áudios contendo uma conversa entre ele e Joesley serem entregues à Procuradoria-Geral da República (PGR). No diálogo, eles chegam a sugerir que um ex-procurador teria ajudado nas negociações de delação premiada da empresa, ainda enquanto atuava na PGR.

Atualmente, ele ocupa uma das celas da Papuda, no Distrito Federal. No mesmo presídio estão o também delator, o doleiro Lúcio Funaro, apontado como operador financeiro do ex-deputado Eduardo Cunha na Câmara, e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que voltou à prisão depois que a Polícia Federal encontrou R$ 51 milhões em apartamento usado por ele.

De acordo com informações da Coluna do Estadão, nesta quinta-feira (5), o clima no local, que abriga delatores e delatados, é tenso. Um revezamento de advogados, inclusive, foi criado para evitar o encontro dos três.

No entanto, durante o banho de sol, embora separados por muros, eles têm trocado acusações, segundo fontes ouvidas em Brasília. Enquanto está fora da cela, Lúcio Funaro costuma atacar o delator da JBS: “Saud, vou te matar”.

Geddel também engrossa o coro: “Saud, também vou te matar”. O ex-executivo, então, responde às provocações: “Cala a boca, seu gordo!”.

Os advogados dos presos foram procurados para falar sobre o assunto, mas apenas a defesa de Saud, representada por Antônio Carlos Almeida Castro, o “Kakay”, foi encontrada. O advogado disse que não comentaria o caso.