Ricardo Lora será velado em Caxias do Sul (Foto: Reprodução/Facebook)

Os corpos dos quatro integrantes da família Lemos, encontrada morta em um apart-hotel em Florianópolis na madrugada de sexta-feira (6), permanecem neste sábado (7) no Instituto Médico Legal (IML) da capital catarinense. Segundo o órgão, o único parente que entrou em contato para liberação dos corpos mora no exterior, uma sobrinha de Paulo Gaspar Lemos, 78 anos. Ainda não há data para os sepultamentos.

Cinco pessoas, sendo quatro da mesma família, foram mortas no Venice Beach Apart Hotel, no bairro Canasvieiras, em Florianópolis. A suspeita é de acerto de contas por causa de dívidas. Segundo a Polícia Civil, as vítimas ficaram oito horas sofrendo tortura psicológica até serem mortas por asfixia. Ninguém foi preso até este sábado.

Ainda de acordo com o IML, o corpo de Ricardo Lora, que era sócio de Leandro Gaspar Lemos, foi o único liberado para enterro e será sepultado no Rio Grande do Sul. A família dele informou que o enterro será as 16h no cemitério anexo a Capela São Marcos na Linha Feijó, em Caxias do Sul.

Segundo o IML, a sobrinha de Lemos vem para a capital catarinense para a liberação, sem confirmação de data da chegada dela.

 Paulo Gaspar Lemos foi morto em chacina em apart-hotel (Foto: Reprodução/NSC TV)

Paulo Gaspar Lemos foi morto em chacina em apart-hotel (Foto: Reprodução/NSC TV)

Eram da mesma família o empresário Paulo Gaspar Lemos e os três filhos dele: o empresário Leandro Gaspar Lemos, 44, Paulo Gaspar Lemos Junior, 51, que tinha deficiência intelectual, e a artesã Katya Gaspar Lemos, de 50.

Os corpos foram encontrados em cômodos separados do apart-hotel e com cordas amarradas nas mãos, pés e pescoço, de acordo com o Instituto Geral de Pericias (IGP). Um foi localizado na lavanderia do subsolo, dois no segundo andar e os outros no terceiro andar. Havia gasolina espalhada pelos locais e não houve registro de disparo de arma de fogo.

Carro de uma das vítimas foi encontrado na manhã deste sábado (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

Carro de uma das vítimas foi encontrado na manhã deste sábado (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

Carro encontrado

Na sexta, dois carros da família foram roubados após o crime. Um foi encontrado ainda na sexta. O outro, na manhã deste sábado (7), conforme o delegado Anselmo Cruz, diretor da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Ele informou que o veículo estava estacionado em uma rua em Ponta das Canas, no Norte da Ilha. O carro foi levado para a 7ª Delegacia de Polícia Civil da capital e na sequência será periciado pelo Instituto Geral de Perícias (IGP).

Ainda segundo o delegado Anselmo Cruz, ocorreram avanços na coleta de informações sobre o crime, mas que não serão divulgadas nesta manhã para não atrapalhar as investigações.

Crime ocorreu em apart-hotel em Canasvieiras, Florianópolis (Foto: Thomas Braga/NSC TV)

Crime ocorreu em apart-hotel em Canasvieiras, Florianópolis (Foto: Thomas Braga/NSC TV)

Oito horas de tortura

“Das 16h [de quinta] à meia-noite permaneceram no terror psicológico e ao final morreram por esganadura [asfixiados]”, disse o delegado Verdi Furlanetto, Diretor de Polícia da Grande Florianópolis, na sexta-feira (6). Ainda segundo ele, antes dos assassinatos, os criminosos não machucaram as vítimas de forma ostensiva, apesar de todos terem sido amarradas.

De acordo com a polícia, três bandidos estavam encapuzados e usando luvas. Eles teriam chegado a procurar um cofre, mas não encontraram.

Conforme a Polícia Civil, as dívidas da família são a hipótese principal como motivação do crime, apesar de outras não estarem descartadas. “Nós temos algumas linhas, em decorrência do histórico da vítima. É um empresário [Paulo Gaspar Lemos], que teve problemas financeiros e tem alguns negócios que foram feitos. A partir daí é uma linha de investigação”, disse Furlanetto.

“No bojo tem todas as questões comerciais. A locadora, o hotel, ações trabalhistas. São diversas questões que envolvem. Mas com a investigação prosseguindo, como está ocorrendo, na verdade vamos achar o caminho mais objetivo e concreto”, acrescentou o delegado.

Sigla de facção

Uma sigla da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) foi deixada na parede, segundo a polícia. Entretanto, o delegado Anselmo Cruz, afirmou que a marca pode ter sido registrada para atrapalhar os trabalhos.

“Apesar das informações iniciais que tiveram a inscrição de uma facção nas paredes, a primeira situação é que não há nenhuma movimentação [dos grupos criminosos] no estado neste tipo de crime”, disse. “Não indica ser algo de facção. Essa assinatura indica que tinha intuito de desvirtuar a possível autoria, querer atribuir esse possível conflito”, completou.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, será investigado, no entanto, se existe alguma ligação com conflito de facções fora de Santa Catarina. Mas até a tarde desta sexta, não havia informações a respeito. “Está descartado ser conflito de facções aqui do estado”, afirmou Cruz.

Dívidas e negócios

“Um dos filhos tinha uma atividade empresarial forte, assim como o pai. Agora envolvimento com condutas ilícitas ainda serão identificadas”, explicou Cruz. Segundo ele, são empresas de natureza distintas e não se sabe qual fonte de renda era a principal.

Além de dona do apart-hotel, a família Lemos chegou a ter uma casa noturna em Florianópolis, uma produtora de eventos e tem uma corretora de seguros no nome deles. Também tinha uma revendedora de carros em São Paulo.

A Polícia Militar informou que a família e o funcionário do hotel não tinham passagens criminais ligadas ao tráfico de drogas no estado. Em São Paulo, Paulo Gaspar Lemos responde ao menos quatro inquéritos policiais por estelionato.

Ele também chegou a responder por calúnia em Santa Catarina, e Leandro Gaspart Lemos por apropriação indébita também no estado, segundo a PM. Paulo Lemos Junior, Katya Lemos e Ricardo Lora não tinham passagens policiais no estado.

Polícia Militar isolou a área no bairro Canasvieiras (Foto: PM/ Divulgação)

Polícia Militar isolou a área no bairro Canasvieiras (Foto: PM/ Divulgação)

Crime

Três homens armados chegaram ao apart-hotel, na Rua Doutor José Bahia Bitencourt, na tarde de quinta-feira (5), e renderam seis pessoas. Uma delas, funcionária do local, conseguiu fugir e acionar a polícia, que chegou ao estabelecimento por volta das 0h30, e encontrou os corpos.